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Medo

“Chegamos à conclusão de que não tínhamos outra escolha senão mudarmos completamente as nossas velhas maneiras de pensar ou então voltávamos a usar.” Texto Básico, p. 26

Muitos de nós descobriram que as suas velhas formas de pensar eram dominadas pelo medo. Tínhamos medo de não conseguir arranjar as nossas drogas, ou de que elas não fossem suficientes. Tínhamos medo de ser descobertos, de sermos presos, de irmos para a cadeia. Mais abaixo na lista estavam os medos de problemas financeiros, de não termos casa, de uma “overdose”, de doenças. E o nosso medo controlava as nossas ações. Os primeiros tempos em recuperação não eram muito diferentes para muitos de nós; era, também nessa altura, o medo a dominar os nossos pensamentos. “E se estar em recuperação trouxer muita dor?”, perguntávamos a nós mesmos. “E se eu não conseguir? E se as pessoas em NA não gostarem de mim? E se NA não resultar?” 0 medo por detrás destes pensamentos pode ainda controlar o nosso comportamento, impedindo-nos de tomar os riscos necessários para nos mantermos limpos e crescermos. Pode parecer mais fácil resignarmo-nos à certeza de que vamos falhar, desistindo antes mesmo de começarmos, em vez de arriscarmos tudo com base numa réstia de esperança. Mas esse tipo de pensamento apenas leva à recaída. Para nos mantermos limpos, temos de encontrar a boa-vontade para mudar as nossas velhas formas de pensar. Aquilo que resultou para outros adictos pode resultar para nós – mas temos de estar dispostos a arriscar. Temos de substituir as nossas dúvidas, velhas e cínicas, por novas afirmações de esperança. Quando fazemos isso, veremos que vale a pena arriscar.
Só por hoje: Rezo pela boa vontade para mudar as minhas velhas formas de pensar, e pela capacidade para ultrapassar os meus medos.
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Prioridade: reuniões

“Ao princípio achava que seria impossível ir a mais do que uma ou duas reuniões por semana. Mais do que isso não ia adaptar-se a minha vida ocupada. Mais tarde aprendi que as minhas prioridades estavam todas ao contrário. Todas as outras coisas é que iriam ter de adaptar-se ao meu compromisso com as reuniões.” Basic Text II, p. 204

Alguns de nós iam pouco a reuniões quando chegamos a Narcóticos Anônimos, e depois ficávamos muito espantados por não conseguirmos manter-nos limpos. O que rapidamente aprendemos foi que, se quiséssemos manter-nos limpos, tínhamos de fazer da participação em reuniões uma prioridade. Por isso começamos tudo de novo. Seguimos a sugestão do nosso padrinho ou madrinha e comprometemo-nos a ir a noventa reuniões em noventa dias. Identificamo-nos como recém-chegados durante os primeiros trinta dias, para que os outros pudessem nos conhecer. Sugeriram que parássemos de falar o tempo suficiente para aprendermos a ouvir. Em breve começamos a ter vontade de ir a reuniões e a nos manter limpos. Hoje vamos a reuniões por uma série de razões. Às vezes vamos a reuniões para partilhar a nossa experiência, força e esperança com membros mais novos. Às vezes vamos para ver amigos. E às vezes vamos só porque queremos um abraço. De vez em quando saímos de uma reunião e vemos que não ouvimos uma única palavra do que foi dito, mas mesmo assim nos sentimo melhor. A atmosfera de amor e de alegria que enche as nossas reuniões tem-nos mantido limpos por mais um dia. Por mais confuso que seja o nosso dia, fazemos da ida a reuniões uma prioridade.

Só por hoje: Cá bem dentro, sei que as reuniões fazem-me bem por uma série de razões. Hoje quero aquilo que seja bom para mim. Irei a uma reunião.

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Fingir que…

“O que hoje procuramos são soluções, não problemas. Tentamos aplicar aquilo que aprendemos.” Texto Básico, p.65

A primeira vez que ouvimos dizer que deveríamos “fingir que”, muitos de nós exclamaram: “Mas isso não é honesto! Julgava que em Narcóticos Anônimos era suposto sermos honestos quanto aos nossos sentimentos.” Talvez possamos refletir sobre quando chegamos pela primeira vez ao programa. Talvez não acreditássemos em Deus, mas mesmo assim rezávamos. Ou talvez não estivéssemos tão certos de que o programa iria resultar para nós, mas continuamos a vir a reuniões, não importava o que pensássemos. O mesmo aplica-se quando progredimos em recuperação. Podemos ter um terror das multidões, mas se agirmos com confiança e estendermos a mão, não só nos sentiremos melhor conosco, como iremos também descobrir que já não estamos tão receosos de grandes ajuntamentos. Cada ação que tomarmos com esta atitude mais depressa nos tornaremos as pessoas que supostamente éramos. Cada mudança positiva que fizermos constrói a nossa auto-estima. Ao nos comportarmos de forma diferente, iremos compreender que estamos também a começar a pensar de forma diferente. Estamos a começar a viver no caminho certo através do “fingir que”.

Só por hoje: Vou aproveitar para fingir que consigo aceitar uma situação que antes receava enfrentar.

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Volta que isto resulta

“Começamos a gozar a vida sem drogas e queremos mais daquilo que NA tem para nos dar” Texto Básico, p. 31

Consegues lembrar de quando olhavas para os adictos em recuperação em NA e pensavas: “Se eles não estão a usar drogas, então por que diabo é que estão a rir?” Não é verdade que julgavas que o gozo acabava quando as drogas acabavam? Muitos de nós pensavam assim; tínhamos a certeza de estar a deixar para trás a “boa vida”. Hoje muitos de nós conseguem rir disso, pois sabemos quão preenchidas as nossas vidas podem ser em recuperação. Muitas das coisas que tanto gozamos em recuperação são obtidas através de uma participação ativa na Irmandade de NA. Começamos a encontrar verdadeiras companhias, amigos que nos compreendem e se preocupam conosco. Encontramos um lugar onde podemos ser úteis a outros. Existem reuniões de recuperação, atividades de serviço, e encontros da irmandade, que preenchem o nosso tempo e ocupam os nossos interesses. A irmandade pode ser um espelho que reflete uma imagem mais exata de quem somos. Encontramos professores, amigos, amor, carinho, e apoio. A irmandade tem sempre algo mais para nos dar, enquanto continuarmos a voltar.
Só por hoje: Sei onde encontrar uma “vida boa”. Hei-de voltar.
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Agradar aos Outros

“Este comportamento (na procura de aprovação) levou-nos mais fundo na adicção.” Texto Básico, p. 16

Quando os outros aprovam aquilo que fazemos ou dizemos, sentimo-nos bem; quando desaprovam, sentimo-nos mal. As opiniões que tenham de nós, e a forma como essas opiniões nos fazem sentir, podem ter um valor positivo. Ao fazerem-nos sentir bem por estarmos no caminho certo, encorajam-nos a prosseguir em frente. O “agradar aos outros” é algo inteiramente diferente. “Agradamos aos outros” quando fazemos coisas, certas ou erradas, só para obtermos a aprovação de outra pessoa. Uma baixa auto-estima pode levar-nos a pensar que precisamos da aprovação de outra pessoa para nos sentirmos bem connosco. Fazemos aquilo que julgamos ser necessário para que elas nos digam que estamos bem. Por uns momentos sentimo-nos bem. Depois começamos a entrar em dor. Ao tentarmos agradar a outra pessoa, nos diminuímos e diminuímos aos nossos valores. Compreendemos que a aprovação dos outros não irá preencher o vazio dentro de nós. A satisfação interior que procuramos pode ser encontrada ao fazermos as coisas certas pelos motivos certos. Quebramos o ciclo de agradar aos outros quando deixamos de agir unicamente para obter a aprovação dos outros e começamos a agir de acordo com a vontade do nosso Poder Superior para nós. Acabamos assim por ficar agradavelmente surpreendidos ao vermos que as pessoas que realmente contam nas nossas vidas vão aprovar ainda mais o nosso comportamento. Mais importante ainda, contudo, é que vamos nos aprovar.

Só por hoje: Poder Superior, ajuda-me a viver de acordo com princípios espirituais. Só então é que eu poderei aprovar-me a mim próprio.

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Demasiado Ocupados

“Precisamos de praticar aquilo que aprendemos ou arriscamo-nos a perder tudo, não importa há quanto tempo estejamos limpos.” Texto Básico, p. 96

Quando já temos algum tempo limpo, alguns de nós têm a tendência de esquecer qual é a nossa prioridade mais importante. Uma vez por semana, ou menos, dizemos: “Tenho de ir esta noite a uma reunião. Há mais de…” Estamos tão ocupados com outras coisas, decerto importantes, mas não mais do que a nossa contínua participação em Narcóticos Anônimos. Acontece aos poucos. Arranjamos trabalhos. Reunimo-nos às nossas famílias. Temos de tomar conta dos filhos, o cão está doente, ou temos aulas à noite. A casa precisa de ser limpa. Temos de regar as plantas. Temos de trabalhar até tarde. Estamos cansados. Dá hoje um filme óptimo. E, de repente, vemos que já vai algum tempo que não falamos com o nosso padrinho ou madrinha, que não vamos a uma reunião, que não falamos com um recém-chegado, ou mesmo que não falamos com Deus. O que é que fazemos nestas alturas? Bom, ou renovamos o nosso compromisso com a nossa recuperação, ou continuamos demasiado ocupados para recuperar até que aconteça algo e as nossas vidas se tornem ingovernáveis. Mas que escolha! O melhor que teremos a fazer é pôr mais energias na manutenção dos alicerces da recuperação sobre os quais se constroem as nossas vidas. Esses alicerces tornam tudo o resto possível, e decerto que irão ruir se nos deixarmos ocupar por tudo o resto.
Só por hoje: Não posso dar-me ao luxo de estar demasiado ocupado para recuperar. Hoje vou fazer algo que mantenha a minha recuperação.
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Ir atrás dos sentimentos

“Aprendemos a viver com esses sentimentos e compreendemos que eles não poderão magoar-nos se nós não formos atrás deles.” IP n° 16, Para o recém-chegado

Nem todos nós chegamos a Narcóticos Anônimos com um desejo avassalador de parar de usar. É verdade que as drogas nos causavam problemas e que queríamos ver-nos livres desses problemas, mas também não queríamos deixar de andar “pedrados”. Todavia, acabamos por ver que não podíamos ter uma coisa sem a outra. Apesar de realmente querermos ter a “cabeça cheia”, nós não usamos; já não estávamos mais dispostos a pagar o preço. Ao mantermos-nos limpos e praticarmos o programa, mais cedo ou mais tarde começamos a sentir mais liberdade. A compulsão para usar acabou por nos ser completamente removida, e nos mantivemos limpos porque queríamos viver limpos. Os mesmos princípios aplicam-se a outros impulsos negativos que possamos ter. Podemos querer fazer algo de destrutivo, só porque nos apetece. Já agimos assim no passado, e por vezes achamos que conseguimos nos safar, embora às vezes não seja assim. Se não estivermos dispostos a pagar o preço por irmos atrás desses sentimentos, não precisamos de o fazer. Pode ser difícil, talvez tão difícil quanto foi nos manter limpos no início. Mas outros já se sentiram da mesma forma e encontraram a liberdade de não terem que ir atrás dos seus impulsos negativos. Ao partilharmos sobre isso e procurarmos a ajuda de outras pessoas em recuperação e de um Poder superior a nós mesmos, podemos encontrar a direção, o apoio, e a força de que precisamos para nos abstermos de qualquer compulsão destrutiva.
Só por hoje: Não há problema em sentir os meus sentimentos. Com a ajuda do meu padrinho ou madrinha, dos meus amigos de NA e do meu Poder Superior, estou livre para não ir atrás dos meus sentimentos negativos.
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Felicidade

“Passamos a conhecer a felicidade, a alegria e a liberdade.” Texto Básico, p. 103

Se alguém te parasse hoje na rua e te perguntasse se eras feliz, o que você diria? “Bom, ah, deixe-me ver… Tenho uma casa, comida no frigorífico, um emprego, o meu carro trabalha… Sim, acho que sou feliz”, poderia ser a tua resposta. Aqueles são exemplos exteriores de coisas que muitos de nós tradicionalmente associam à felicidade. Por vezes esquecemo-nos, todavia, de que a felicidade é uma escolha; não há ninguém que possa fazer-nos felizes. A felicidade é aquilo que encontramos no nosso envolvimento com Narcóticos Anônimos. É na verdade enorme a felicidade que vamos buscar a uma vida concentrada em servir o adicto que ainda sofre. Quando colocamos o serviço acima dos nossos próprios desejos, descobrimos que estamos a retirar o foco sobre nós próprios. Como resultado disso, vivemos uma vida mais feliz e harmoniosa. Ao servirmos os outros, as nossas necessidades são mais do que preenchidas. Felicidade. O que é que é na realidade? Podemos pensar na felicidade em termos de contentamento e de satisfação. Estes dois estados de alma parecem surgir quando menos nos esforçamos por eles. À medida que vivemos só por hoje, transmitindo a mensagem ao adicto que ainda sofre, encontramos contentamento, felicidade, e uma vida com um profundo sentido.

Só por hoje: Vou ser feliz. Vou encontrar a minha felicidade ao servir os outros.

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Cultivar a Honestidade

“As mudanças dão-se a um nível prático, pois aquilo que é apropriado em determinada fase de recuperação pode não o ser em outra.” Texto Básico, p. 116

Quando chegamos a Narcóticos Anônimos muitos de nós não tinham qualquer ocupação legítima. Nem todos decidimos, assim de repente, tornar-nos cidadãos modelo, honestos e produtivos. Mas depressa descobrimos, em recuperação, que não nos sentimos assim tão confortáveis a fazer muitas das coisas que, quando usávamos, costumávamos fazer sem pensar duas vezes. À medida que crescemos em recuperação, começamos a ser honestos em assuntos que muito provavelmente nunca nos haviam preocupado quando usávamos. Começamos a devolver o troco que nos dão em demasia no supermercado, ou a admitir a culpa quando riscamos um carro estacionado. Descobrimos que se conseguirmos ser honestos nestas pequenas coisas, os testes maiores à nossa honestidade tornam-se muito mais fáceis de lidar. Muitos de nós chegaram aqui com uma capacidade muito reduzida de ser honestos. Mas descobrimos que, à medida que trabalhamos os Doze Passos, as nossas vidas começam a mudar. Já não nos sentimos confortáveis quando beneficiamos à custa dos outros. E podemos sentir-nos bem com a nossa recém-descoberta honestidade.
Só por hoje: Vou examinar o nível de honestidade na minha vida e ver se me sinto confortável com ele.
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Proteger a nossa recuperação

“Lembra-te de que somos nós… os responsáveis últimos pela nossa recuperação e pelas nossas decisões.” Texto Básico, p. 114

A maioria de nós será confrontada com escolhas que desafiam a nossa recuperação. Se, por exemplo, estivermos a atravessar uma dor física extrema, teremos de decidir se iremos ou não tomar medicação. Teremos de ser muito honesto conosco quanto ao grau da nossa dor, honestos com o médico quanto à nossa adicção e à nossa recuperação, e honestos com o nosso padrinho ou madrinha. Contudo, a decisão final é nossa, pois somos nós quem terá de viver com as consequências. Um outro desafio comum é a escolha de se ir a uma festa onde seja servido álcool. Mais uma vez deveremos considerar o nosso estado espiritual. Se alguém que apoia a nossa recuperação puder ir conosco, tanto melhor. Mas se não nos sentirmos com forças para enfrentar esse desafio, talvez devamos declinar o convite. Hoje sabemos que preservar a nossa recuperação é mais importante do que salvar a face. Todos estes tipos de decisões são difíceis, exigindo não só a nossa cuidadosa consideração, como também a orientação do nosso padrinho ou madrinha e uma rendição completa a um Poder Superior. Ao utilizarmos todos estes recursos, tomamos a melhor decisão que pudemos. Todavia, a decisão final é nossa. Hoje somos responsáveis pela nossa própria recuperação.
Só por hoje: Quando for confrontado com uma decisão que possa desafiar a minha recuperação, vou consultar todos os recursos ao meu dispor antes de fazer uma escolha.
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