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Sair do Isolamento

“Damos por nós a fazer coisas que nunca pensamos fazer, e a gostar de fazê-las.” Texto Básico, p. 113
A adicção ativa manteve-nos isolados por muitas razões. No início evitávamos a família e os amigos, para que eles não descobrissem que andávamos a usar. Alguns de nós evitavam todas as pessoas que não fossem adictas, temendo os jogos moralistas e as repercussões legais. Deitamos abaixo quem tivesse vidas “normais”, com famílias e passatempos; chamávamos-lhes “caretas”, acreditando que nunca iríamos conseguir gozar os prazeres simples da vida. Por fim acabamos por evitar até outros adictos, pois não queríamos dividir as nossas drogas. As nossas vidas estreitaram-se, e as nossas preocupações ficaram confinadas à manutenção diária da nossa doença. Hoje as nossas vidas estão muito mais preenchidas. Apreciamos as atividades com outros adictos em recuperação, temos tempo para as nossas famílias, e descobrimos muitas outras coisas que nos dão prazer. Que mudança em relação ao passado! Podemos viver a vida tão intensamente como as pessoas “normais” que antigamente desprezávamos. A alegria voltou às nossas vidas, uma dádiva de recuperação.
Só por hoje: Posso encontrar prazer nas rotinas simples da vida.
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Erros

“Insanidade é repetir os mesmos erros à espera de resultados diferentes.” Texto Básico, p. 27

Erros! Todos sabemos o que sentimos quando os cometemos. Muitos de nós sentem-se aterrorizados ao olhar para sí próprios, ao sondar o seu interior. Muitas vezes olhamos para os nossos erros com vergonha e culpa – no mínimo com frustração e impaciência. Temos tendência para ver os erros como evidência de que continuamos doentes, doidos, estúpidos, ou demasiado danificados para recuperar. Na verdade, os erros são uma parte vital e importante do ser humano. Para pessoas particularmente teimosas (como os adictos), os erros são o nosso melhor mestre. Não há que ter vergonha de errar. De fato, cometer novos erros mostra por vezes a nossa vontade de arriscar e crescer. No entanto, é importante que aprendamos com os nossos erros; repetir os mesmos pode ser um sinal de que estamos atolados. E esperar resultados diferentes dos mesmos velhos erros – bom, isso é aquilo a que chamamos “insanidade”. Simplesmente não resulta.

Só por hoje: Os erros não são tragédias. Mas por favor, meu Poder Superior, ajuda-me a aprender com eles!

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Seguir em frente neste caminho

“A progressão da recuperação é uma caminhada contínua e a subir.” Texto Básico, p. 93

Quanto mais tempo estamos limpos, mais íngreme e estreito parece tornar-se o nosso caminho. Mas Deus não nos dá mais do que aquilo que podemos aguentar. Não importa quão difícil a estrada se torne, não importa quão estreita ela seja, ou quão tortuosas sejam as suas curvas, existe esperança. Esta esperança repousa na nossa progressão espiritual. Se continuarmos a ir a reuniões e nos mantivermos limpos, a vida torna-se… bom, diferente. A procura contínua de respostas para os altos e baixos da vida pode levar-nos a questionar todos os aspectos das nossas vidas. A vida nem sempre é agradável. É aí que devemos voltar-nos ainda com mais fé para o nosso Poder Superior. Por vezes tudo aquilo que podemos fazer é nos segurar bem, acreditando que as coisas irão melhorar. Com o tempo, a nossa fé irá nos ajudar a compreender. Começaremos a ver o “contexto mais vasto” das nossas vidas. À medida que a relação com o nosso Poder Superior se revela e se aprofunda, a aceitação torna-se quase natural. Não importa aquilo que aconteça ao caminharmos em recuperação, confiamos na nossa fé num Poder Superior amantíssimo e seguimos em frente.
Só por hoje: Aceito que não tenho todas as respostas para as questões da vida. Apesar disso, vou ter fé no Deus da minha concepção e continuar no caminho da recuperação.
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Equilibrar a Balança

“Muitas das nossas principais preocupações e dificuldades advêm da nossa inexperiência em viver sem drogas. Por vezes, quando pedimos conselhos a alguém que esteja há mais tempo no programa, ficamos surpreendidos com a simplicidade da sua resposta.” Texto Básico, p. 49
Encontrar equilíbrio em recuperação é um pouco como nos sentarmos com uma balança e um monte de areia. O objetivo é ter uma quantidade igual de areia em cada prato, conseguindo um equilíbrio de peso. Fazemos o mesmo em recuperação. Sentamo-nos com os alicerces do nosso tempo limpo e os Doze Passos, e depois tentamos acrescentar um emprego, as responsabilidades de manter uma casa, amigos, afilhados, relações, reuniões e serviço em quantidades iguais para que os pratos da balança se equilibrem. A nossa primeira tentativa poderá desequilibrar a nossa balança pessoal. Podemos descobrir que, devido ao nosso demasiado envolvimento em serviço, irritamos o nosso patrão ou a nossa família, mas quando tentamos corrigir este problema abandonando completamente o serviço em NA, desequilibramos o outro prato da balança. Podemos pedir ajuda a membros que estabilizaram a sua balança. Essas pessoas são fáceis de reconhecer. Parecem-nos serenas, comedidas e confiantes. Irão sorrir ao reconhecerem o nosso dilema e irão partilhar a forma como elas próprias conseguiram acalmar, juntando apenas uns poucos grãos de areia de cada vez, em cada prato da balança, sendo assim recompensadas com equilíbrio em recuperação.

Só por hoje: Procuro equilíbrio na minha vida. Hoje vou pedir a outros que partilhem a sua experiência na procura desse equilíbrio.

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Prontos para Aprender

“Aprendemos que não há mal em não se saber todas as respostas, pois assim podemos ser ensinados e aprender a viver a nossa nova vida com sucesso.” Texto Básico, p. 107

De certo modo, a adicção é um grande mestre. E se a adicção não nos ensina mais nada, ensina-nos, pelo menos, a humildade. Ouvimos dizer que foram precisas as nossas melhores ideias para chegarmos a NA. Agora que estamos aqui, estamos para aprender. A Irmandade de NA constitui um ótimo ambiente de aprendizagem para um adicto em recuperação. Não nos fazem sentir estúpidos nas reuniões. Em vez disso, encontramos outros que estiveram exatamente onde nós estivemos e que encontraram uma saída. Tudo o que precisamos de fazer é admitir que não temos todas as respostas, e depois ouvir os outros partilharem aquilo que resultou para eles. Como adictos em recuperação e como seres humanos, temos muito que aprender. Outros adictos – e outros seres humanos – têm muito para nos ensinar sobre aquilo que resulta e aquilo que não resulta. Enquanto nos mantivermos prontos para aprender, podemos tomar partido da experiência dos outros.

Só por hoje: Vou admitir que não tenho todas as respostas. Vou olhar e procurar escutar na experiência dos outros as respostas de que preciso.

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Transformar a agitação em paz

“Com o mundo numa tal confusão, sinto que fui abençoado por estar onde estou.” II Basic Text, p. 155

Há dias em que não compensa ouvirmos as notícias, por serem tantas as histórias de violência e destruição. Quando usávamos, muitos de nós cresceram habituados à violência. Tapados pelo nevoeiro da nossa adicção, raramente ficávamos perturbados com o estado do mundo, no entanto, quando estamos limpos, muitos de nós descobrem que são particularmente sensíveis ao mundo que os rodeia. Como pessoas em recuperação, o que é que podemos fazer então para torná-lo um sítio melhor? Um Quando nos sentimos perturbados pela agitação do nosso mundo, podemos encontrar conforto na prece e na meditação. Quando tudo parece virado ao contrário, o contato com o nosso Poder Superior pode acalmar-nos no meio de qualquer tempestade. Quando estamos centrados no nosso caminho espiritual, podemos reagir aos nossos medos com paz. E ao vivermos, nós próprios, em paz, convidamos um espírito de paz a entrar no nosso mundo. Como pessoas em recuperação, podemos provocar mudanças positivas, fazendo o nosso melhor para praticar os princípios do nosso programa.

Só por hoje: Vou aumentar a paz no mundo, ao viver, falar e agir de forma pacífica na minha própria vida.

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Já estamos a nos divertir?

“Com o tempo, conseguimos acalmar-nos e apreciar a atmosfera de recuperação.” Texto Básico, p. 63

Imaginem o que aconteceria se um recém-chegado entrasse numa das nossas reuniões e desse de caras com um grupo de pessoas tristonhas agarradas em desespero às suas cadeiras. Esse recém-chegado iria certamente assustar-se, balbuciando, “E eu que julgava que talvez pudesse largar as drogas e ser feliz.” Graças a Deus, os nossos recém-chegados costumam dar de caras com um grupo de pessoas amigas e sorridentes, relativamente satisfeitas com as vidas que encontraram em Narcóticos Anônimos. Que grande dose de esperança que isso oferece! Um recém-chegado, cuja vida tem sido demasiado séria, é fortemente atraído por uma atmosfera de riso e de descontração. Quando se vem de um lugar onde tudo é levado a sério, onde o desastre nos aguarda a cada esquina, é um alívio bem-vindo entrar numa sala e encontrar pessoas que não costumam levar-se muito a sério, prontas para algo de maravilhoso. Aprendemos a levar as coisas menos a sério. Rimo-nos do absurdo da nossa adicção. As nossas reuniões – essas salas cheias dos sons vivos e felizes de café a ser feito, de cadeiras a serem arrumadas, do riso de adictos – são os locais onde primeiro recebemos os nossos recém-chegados e lhes mostramos que, sim, agora estamos a divertir-nos.

Só por hoje: Posso rir de mim próprio. Consigo aceitar uma piada. Vou levar as coisas menos a sério e divertir-me hoje.

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O que for nescessário

“…eu estava disposto a fazer o que fosse preciso para me manter limpo.” II Basic Text, p. 217

“O que for necessário?” perguntam os recém-chegados. “0 que é que querem dizer com o que for necessário?” Poderemos encontrar uma resposta olhando para trás, para a nossa adicção ativa, para as coisas que estávamos dispostos a fazer para arranjar drogas. Estávamos dispostos a andar quilômetros para arranjar droga? Sim, geralmente estávamos. Então fará sentido que, se estivermos tão preocupados em manter-nos limpos como estávamos em usar, faremos o que for necessário para conseguirmos ir a uma reunião. Na nossa adicção ativa, não costumávamos fazer loucuras, coisas insanas, ou usar substâncias desconhecidas guiados por outros? Então porque é que nos é tão difícil aceitar sugestões em recuperação, especialmente quando a sugestão se destina a ajudar-nos a crescer? E quando usávamos, não costumávamos, em desespero, virar-nos para o nosso Poder Superior, dizendo, “Por favor, livra-me desta!” Então porque é que nos é tão difícil pedir ajuda a Deus na nossa recuperação? Quando usávamos, costumávamos ter a mente aberta quando se tratava de encontrar maneiras e formas de arranjar mais drogas. Se pudermos aplicar este mesmo princípio de mente aberta à nossa recuperação, poderemos ficar surpreendidos com a facilidade com que começamos a entender o programa de NA. Nos nossos melhores pensamentos, é costume dizer-se, levaram-nos às salas de Narcóticos Anônimos. Se estivermos dispostos a fazer o que for necessário, seguir sugestões e manter a mente aberta, podemos continuar limpos.
Só por hoje: Estou disposto a fazer o que for necessário para me manter limpo. Ficarei tão de mente aberta e pronto a seguir sugestões quanto for necessário.
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Talvez

“Há uma coisa que mais do que tudo irá derrotar-nos na recuperação; trata-se de uma atitude de indiferença ou de intolerância para com princípios espirituais.” Texto Básico, p. 21

Quando chegámos a NA, muitos de nós tinham uma grande dificuldade em aceitar os princípios espirituais deste programa – e por bons motivos. Por muito que tentássemos controlar a nossa adicção, sentíamos impotentes. Ficávamos zangados e frustrados com alguém que sugerisse que havia esperança para nós, pois nós é que sabíamos. As ideias espirituais poderiam ter algum significado na vida de outras pessoas, mas não na nossa. Apesar da nossa indiferença ou intolerância para com princípios espirituais, sentimo-nos atraídos por Narcóticos Anônimos. Aí encontramos outros adictos. Eles tinham passado pelo mesmo que nós, impotentes e desesperados, mas haviam encontrado uma maneira, não só de pararem de usar mas, também, de viverem e de gozarem uma vida sem drogas. Falavam dos princípios espirituais que lhes haviam apontado o caminho nesta nova vida de recuperação. Para eles, estes princípios não eram apenas teorias mas sim parte da sua experiência prática. Sim, tínhamos bons motivos para estar cépticos, mas estes princípios espirituais de que outros membros de NA falavam pareciam realmente resultar. Uma vez admitindo isto, não aceitamos necessariamente todas as ideias espirituais que ouvimos. Mas começamos a ver que, se estes princípios tinham resultado para outros, talvez pudessem resultar também para nós. Para começar, essa boa-vontade foi o suficiente.

Só por hoje: Os princípios espirituais de que ouço falar em NA talvez possam resultar para mim. Estou disposto, pelo menos, a manter a minha mente aberta a essa possibilidade.

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Valor Próprio e Serviço

“Estar envolvido em serviço faz-me sentir válido.” II Basic Text, p. 212

Quando a maioria de nós chegou a Narcóticos Anônimos, dava muito pouco valor a si próprio. Muitos membros dizem que começaram a desenvolver uma auto-estima ao fazerem serviço no princípio da sua recuperação. É quase um milagre quando começamos a ter um impacto positivo na vida de outros através dos nossos esforços de serviço. A maioria de nós não tem muita experiência, força ou esperança para partilhar com trinta dias limpo. Na verdade, alguns membros irão nos dizer, de forma clara, que o melhor que temos a fazer é ouvir. Mas, com trinta dias, temos algo para oferecer ao adicto que entra pela primeira vez nas salas de NA, tentando ficar vinte e quatro horas sem usar. O membro mais recente em NA, aquele só com o desejo de parar de usar e sem nenhum dos instrumentos, consegue lá imaginar alguém com um ano, ou dois anos, ou dez. Mas ele ou ela conseguirão entender alguém com trinta dias limpo, recebendo um porta-chaves com um olhar de orgulho e de incredulidade estampado no seu rosto. O serviço é algo que constitui uma dádiva única – algo que ninguém pode nos tirar. Damos, e recebemos através do serviço, muitos de nós iniciam o caminho por vezes longo de regresso a serem membros produtivos da sociedade.
Só por hoje: Vou estar grato pela oportunidade de poder servir.
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