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A pior prisão do mundo | Augusto Cury

“O que acontece no inconsciente que faz com que a dependência química se torne o mais drástico cárcere da inteligência ou a pior prisão do mundo? Por que, em todo o mundo, milhares de jovens colegiais e universitários, que têm acesso a tantas informações, não conseguem usar sua cultura para romper com as algemas dessa prisão?”, questiona o psiquiatra Augusto Cury, na obra A pior prisão do mundo – superando o cárcere da emoção, livro em que debate a toxicomania e a liberdade do ser humano dentro de si mesmo.

Na obra, Cury auxilia pais, educadores e jovens a dialogarem e encontrarem vidas mais significativas, trazendo à luz suas décadas de estudo e de prática clínica, como é o caso que trazemos hoje, do paciente de Cury, chamado de “J.V.”. Leia o que Augusto Cury conta sobre a história do jovem de 26 anos e sobre sua luta a favor de si mesmo.   

No diálogo com os dependentes, descobre-se uma incrível contradição a respeito do uso de drogas. O que as pessoas, em sua maioria jovens, buscam e sonham encontrar é totalmente divergente daquilo que realmente encontram.

Procuram a aventura e acabam presos na mais amarga das prisões. Querem um mundo diferente daquele oferecido por suas famílias e pela sociedade mundo no qual nada os controlará, onde farão suas viagens sem serem importunados, mas acabam se transformando nos mais restritos, nos mais manipulados dos seres, controlados por substâncias tão minúsculas e insignificantes.

Qualquer pessoa que usa drogas conseguirá se enxergar um pouco na história deste jovem dependente. 
Vamos conhecer a história de um dos meus pacientes.

Ele se chama J.V. e tem 26 anos. Abandonou a faculdade quase no fim do curso. Pertence a uma família de bom nível cultural e financeiro, passou a infância sem grandes conflitos, embora tivesse uma postura autossuficiente que o levava a reagir antes de pensar, e tinha dificuldades de se colocar no lugar dos outros.

Tinha problemas de relacionamento com os pais, que tentavam inutilmente trazê-lo para o convívio mais íntimo com a família. Aos 12 anos, criticava o namorado da irmã porque ele usava maconha. Parecia que era avesso às drogas, mas não tinha metas bem estabelecidas nem grandes sonhos. Determinado dia, sob a influência de amigos, que é uma das mais importantes causas do uso de drogas, começou a usar aquilo que aparentemente rejeitava.

Começou a fumar maconha, mas jamais com o intuito de ficar dependente, apenas para curtir um momento. Para aliviar sua consciência, dava a desculpa de sempre: o cigarro causa mais prejuízo do que a maconha.Queria justificar o uso de uma droga por meio de outra, o cigarro, embora esse seja comercialmente aceito e socialmente livre.

Sabe-se, principalmente porque a Ciência o estudou mais, que o cigarro provoca mais prejuízos físicos do que a maconha, de enfarto ao câncer. Contudo, o tetrahidrocanabinol, substância psicoativa da maconha, prejudica mais o território da emoção do que a nicotina do cigarro. Em virtude do seu alto potencial tranquilizante, a maconha conduz os usuários contínuos a encolherem sua capacidade de motivação e liderança. Eles se tornam pessoas sem garra, sem dinamismo, sem intrepidez e coragem para ocupar seus espaços profissionais e para transpor obstáculos sociais. Infelizmente, ninguém comenta ou estuda esse assunto.

J.V. inicialmente era um consumidor esporádico. Com o decorrer do tempo, passou a consumidor contínuo e, durante treze anos, fez uma verdadeira escalada na utilização de drogas, passando por muitas delas: moderadores de apetite, xaropes antitussígenos, que contêm codeína na fórmula, chá de cogumelo, LSD, calmantes, cocaína, crack e merla (pasta básica de cocaína), etc.

Nos últimos cinco anos, sua vida social estava totalmente irregular. Não trabalhava, dormia até meio-dia. Entretanto, dizia ser o mais controlado no grupo de amigos de vício, cuidando para que eles não se excedessem, pois temia os efeitos da overdose, já que alguns haviam morrido por parada cardiorespiratória. Mas isso não evitou que ele próprio se tornasse grande consumidor de cocaína e traficante intermediário para sustentar o alto custo do seu vício.

Nessa fase, chegou a ter um quilo de cocaína nas mãos. Estava tão aprisionado dentro de si mesmo, que não percebia os graves riscos que corria, inclusive o de passar vários anos numa cadeia. Paradoxalmente, quem insistia para que os amigos não exagerassem nas doses foi sendo gradativamente manipulado pela droga, começando a tomar doses cada vez mais elevadas.

Em apenas uma noite chegava a fazer vinte aplicações de cocaína nas veias, doses que para a maioria das pessoas seria letal, embora mencionasse que sentia sérias alterações no ritmo cardíaco e respiratório. Toda vez que tomava a droga, J.V. controlava atentamente sua frequência cardíaca, sempre temeroso de sofrer morte súbita, e mesmo esse medo da morte não conseguia libertá-lo de sua prisão interior.

Esse paciente passou por alguns tratamentos psicológicos e psiquiátricos frustrantes e, por fim, chegou ao meu consultório desanimado e desconfiado. Apliquei os princípios da terapia multifocal. Ele não acreditava mais que alguém pudesse ajudá-lo.

Primeiramente, procurei criar no ambiente terapêutico um clima inteligente, irrigado com diálogo aberto, franco, sem preconceitos. Nesse ambiente, tentei conquistar a sua confiança, principalmente valorizando as qualidades da sua personalidade, para resgatar sua autoestima e mostrar que compreendia a sua dor e suas fragilidades.

Em segundo lugar, procurei mostrar-lhe que estar sob o domínio das drogas é uma doença e que ele precisava enfrentar um tratamento de maneira totalmente nova; ele precisava esquecer as tentativas anteriores frustradas e recomeçar tudo.

Realcei que a sabedoria não está em não errar, mas em usar os erros como alicerce para a maturidade.

Em terceiro lugar, empenhei-me em ajudá-lo a resgatar a liderança do eu nos focos de tensão, em conduzi-lo a ter uma vontade dominante, encorajando-o a ser mais forte que o seu impulso para a droga. Mostrei-lhe o absurdo da situação: um ser humano tão inteligente controlado por substâncias tão ínfimas.

Por fim, trabalhei no sentido de fazê-lo perder a representação psicológica inconsciente que as drogas possuíam na sua personalidade. Esse último passo foi o mais importante: quando um jovem termina o romance com a namorada, mas ainda continua a pensar nela, a namorá-la em seus sonhos e, quando a vê, tem taquicardia e outros sintomas físicos, então a possibilidade de ele reatar esse romance é grande, pois a jovem ainda representa algo importante para ele, embora esteja fisicamente separado dela.

O mesmo acontece com a dependência das drogas. Quando um jovem para de usá-las, mas ainda pensa nelas, sonha com elas e se lembra dos efeitos que elas propiciavam quando estava atravessando algum conflito ou se ainda sente desejo por elas, quando alguém lhe oferece, então é muito provável que, um dia, ele volte novamente a usá-las, pois o romance ainda não terminou nos porões de sua memória.

O paciente J.V, atualmente, está perdendo a representação psicológica das drogas. Agora, levanta cedo e vai trabalhar.

Resgatou o prazer de viver.

Seu relacionamento familiar melhorou, existe diálogo e uma proximidade maior entre ele e seus familiares.

Não é suficiente que se pare de usar as drogas, é preciso que elas percam sua representação interior, ou seja, o significado psicológico que ocupam na vida da pessoa. Caso contrário, o romance poderá ser reatado um dia, principalmente porque as drogas estão sempre disponíveis.

 

Casa de recuperação em itamaracá

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