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Transformar a agitação em paz

“Com o mundo numa tal confusão, sinto que fui abençoado por estar onde estou.” II Basic Text, p. 155

Há dias em que não compensa ouvirmos as notícias, por serem tantas as histórias de violência e destruição. Quando usávamos, muitos de nós cresceram habituados à violência. Tapados pelo nevoeiro da nossa adicção, raramente ficávamos perturbados com o estado do mundo, no entanto, quando estamos limpos, muitos de nós descobrem que são particularmente sensíveis ao mundo que os rodeia. Como pessoas em recuperação, o que é que podemos fazer então para torná-lo um sítio melhor? Um Quando nos sentimos perturbados pela agitação do nosso mundo, podemos encontrar conforto na prece e na meditação. Quando tudo parece virado ao contrário, o contato com o nosso Poder Superior pode acalmar-nos no meio de qualquer tempestade. Quando estamos centrados no nosso caminho espiritual, podemos reagir aos nossos medos com paz. E ao vivermos, nós próprios, em paz, convidamos um espírito de paz a entrar no nosso mundo. Como pessoas em recuperação, podemos provocar mudanças positivas, fazendo o nosso melhor para praticar os princípios do nosso programa.

Só por hoje: Vou aumentar a paz no mundo, ao viver, falar e agir de forma pacífica na minha própria vida.

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Já estamos a nos divertir?

“Com o tempo, conseguimos acalmar-nos e apreciar a atmosfera de recuperação.” Texto Básico, p. 63

Imaginem o que aconteceria se um recém-chegado entrasse numa das nossas reuniões e desse de caras com um grupo de pessoas tristonhas agarradas em desespero às suas cadeiras. Esse recém-chegado iria certamente assustar-se, balbuciando, “E eu que julgava que talvez pudesse largar as drogas e ser feliz.” Graças a Deus, os nossos recém-chegados costumam dar de caras com um grupo de pessoas amigas e sorridentes, relativamente satisfeitas com as vidas que encontraram em Narcóticos Anônimos. Que grande dose de esperança que isso oferece! Um recém-chegado, cuja vida tem sido demasiado séria, é fortemente atraído por uma atmosfera de riso e de descontração. Quando se vem de um lugar onde tudo é levado a sério, onde o desastre nos aguarda a cada esquina, é um alívio bem-vindo entrar numa sala e encontrar pessoas que não costumam levar-se muito a sério, prontas para algo de maravilhoso. Aprendemos a levar as coisas menos a sério. Rimo-nos do absurdo da nossa adicção. As nossas reuniões – essas salas cheias dos sons vivos e felizes de café a ser feito, de cadeiras a serem arrumadas, do riso de adictos – são os locais onde primeiro recebemos os nossos recém-chegados e lhes mostramos que, sim, agora estamos a divertir-nos.

Só por hoje: Posso rir de mim próprio. Consigo aceitar uma piada. Vou levar as coisas menos a sério e divertir-me hoje.

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O que for nescessário

“…eu estava disposto a fazer o que fosse preciso para me manter limpo.” II Basic Text, p. 217

“O que for necessário?” perguntam os recém-chegados. “0 que é que querem dizer com o que for necessário?” Poderemos encontrar uma resposta olhando para trás, para a nossa adicção ativa, para as coisas que estávamos dispostos a fazer para arranjar drogas. Estávamos dispostos a andar quilômetros para arranjar droga? Sim, geralmente estávamos. Então fará sentido que, se estivermos tão preocupados em manter-nos limpos como estávamos em usar, faremos o que for necessário para conseguirmos ir a uma reunião. Na nossa adicção ativa, não costumávamos fazer loucuras, coisas insanas, ou usar substâncias desconhecidas guiados por outros? Então porque é que nos é tão difícil aceitar sugestões em recuperação, especialmente quando a sugestão se destina a ajudar-nos a crescer? E quando usávamos, não costumávamos, em desespero, virar-nos para o nosso Poder Superior, dizendo, “Por favor, livra-me desta!” Então porque é que nos é tão difícil pedir ajuda a Deus na nossa recuperação? Quando usávamos, costumávamos ter a mente aberta quando se tratava de encontrar maneiras e formas de arranjar mais drogas. Se pudermos aplicar este mesmo princípio de mente aberta à nossa recuperação, poderemos ficar surpreendidos com a facilidade com que começamos a entender o programa de NA. Nos nossos melhores pensamentos, é costume dizer-se, levaram-nos às salas de Narcóticos Anônimos. Se estivermos dispostos a fazer o que for necessário, seguir sugestões e manter a mente aberta, podemos continuar limpos.
Só por hoje: Estou disposto a fazer o que for necessário para me manter limpo. Ficarei tão de mente aberta e pronto a seguir sugestões quanto for necessário.
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E o Recém-chegado?

“Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir a mensagem ao adicto que ainda sofre.” Quinta Tradição

O nosso grupo-base é muito importante para nós. Onde é que estaríamos, afinal, sem a nossa reunião favorita de NA? O nosso grupo por vezes organiza piqueniques ou outras atividades. Por vezes, os membros de um grupo-base juntam-se para ir ao cinema ou à praia. Todos nós já fizemos boas amizades através do nosso grupo-base, e não iríamos trocar esse calor por nada deste mundo. Mas por vezes precisamos de inventariar aquilo que o nosso grupo está a fazer para cumprir o seu propósito primordial – transmitir a mensagem ao adicto que ainda sofre. Por vezes quando vamos às nossas reuniões conhecemos quase toda a gente e deixamo-nos embrenhar pela conversa e pela risota. Mas, e o recém-chegado? Temo-nos lembrado de ir ao encontro dos novos que poderão estar sentados sozinhos, assustados? Lembramo-nos de acolher aqueles que visitam o nosso grupo? O amor encontrado nas salas de Narcóticos Anónimos ajuda-nos a recuperar da adicção. Mas, uma vez limpos, devemos lembrar-nos de dar aos outros aquilo que nos foi dado tão livremente. Precisamos de ir ao encontro do adicto que ainda sofre. Afinal de contas, “o recém-chegado é a pessoa mais importante em qualquer reunião”.
Só por hoje: Sinto-me grato pelo calor humano que encontrei no meu grupo-base. Vou ao encontro do adicto que ainda sofre, dando desse mesmo calor a outros.
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Talvez

“Há uma coisa que mais do que tudo irá derrotar-nos na recuperação; trata-se de uma atitude de indiferença ou de intolerância para com princípios espirituais.” Texto Básico, p. 21

Quando chegámos a NA, muitos de nós tinham uma grande dificuldade em aceitar os princípios espirituais deste programa – e por bons motivos. Por muito que tentássemos controlar a nossa adicção, sentíamos impotentes. Ficávamos zangados e frustrados com alguém que sugerisse que havia esperança para nós, pois nós é que sabíamos. As ideias espirituais poderiam ter algum significado na vida de outras pessoas, mas não na nossa. Apesar da nossa indiferença ou intolerância para com princípios espirituais, sentimo-nos atraídos por Narcóticos Anônimos. Aí encontramos outros adictos. Eles tinham passado pelo mesmo que nós, impotentes e desesperados, mas haviam encontrado uma maneira, não só de pararem de usar mas, também, de viverem e de gozarem uma vida sem drogas. Falavam dos princípios espirituais que lhes haviam apontado o caminho nesta nova vida de recuperação. Para eles, estes princípios não eram apenas teorias mas sim parte da sua experiência prática. Sim, tínhamos bons motivos para estar cépticos, mas estes princípios espirituais de que outros membros de NA falavam pareciam realmente resultar. Uma vez admitindo isto, não aceitamos necessariamente todas as ideias espirituais que ouvimos. Mas começamos a ver que, se estes princípios tinham resultado para outros, talvez pudessem resultar também para nós. Para começar, essa boa-vontade foi o suficiente.

Só por hoje: Os princípios espirituais de que ouço falar em NA talvez possam resultar para mim. Estou disposto, pelo menos, a manter a minha mente aberta a essa possibilidade.

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Valor Próprio e Serviço

“Estar envolvido em serviço faz-me sentir válido.” II Basic Text, p. 212

Quando a maioria de nós chegou a Narcóticos Anônimos, dava muito pouco valor a si próprio. Muitos membros dizem que começaram a desenvolver uma auto-estima ao fazerem serviço no princípio da sua recuperação. É quase um milagre quando começamos a ter um impacto positivo na vida de outros através dos nossos esforços de serviço. A maioria de nós não tem muita experiência, força ou esperança para partilhar com trinta dias limpo. Na verdade, alguns membros irão nos dizer, de forma clara, que o melhor que temos a fazer é ouvir. Mas, com trinta dias, temos algo para oferecer ao adicto que entra pela primeira vez nas salas de NA, tentando ficar vinte e quatro horas sem usar. O membro mais recente em NA, aquele só com o desejo de parar de usar e sem nenhum dos instrumentos, consegue lá imaginar alguém com um ano, ou dois anos, ou dez. Mas ele ou ela conseguirão entender alguém com trinta dias limpo, recebendo um porta-chaves com um olhar de orgulho e de incredulidade estampado no seu rosto. O serviço é algo que constitui uma dádiva única – algo que ninguém pode nos tirar. Damos, e recebemos através do serviço, muitos de nós iniciam o caminho por vezes longo de regresso a serem membros produtivos da sociedade.
Só por hoje: Vou estar grato pela oportunidade de poder servir.
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Deus Faz Por Nós

“A recuperação contínua depende da nossa relação com um Deus amantíssimo que cuida de nós e fará por nós aquilo que nós não somos capazes de fazer por nós próprios.” Texto Básico, p. 111

Quantas vezes é que já ouvimos dizer nas reuniões que “Deus faz por nós aquilo que nós não podemos fazer por nós próprios”? Há alturas em que poderemos sentir-nos paralisados na nossa recuperação, incapazes, receosos, ou sem vontade para tomarmos as decisões que sabemos ter de tomar para seguirmos em frente. Talvez sejamos incapazes de pôr fim a uma relação que não esteja a funcionar. Talvez o nosso trabalho se tenha tornado numa fonte de demasiado conflito. Ou talvez sintamos que precisamos de arranjar um novo padrinho ou madrinha, mas tenhamos medo de começar a procurar. Através da graça do nosso Poder Superior, poderá acontecer uma mudança imprevista precisamente naquela área que nos sentíamos incapazes de mudar. Por vezes nos permitimos ficar paralisados no problema, em vez de avançarmos em direção à solução. Nessas alturas costumamos descobrir que o nosso Poder Superior faz aquilo que não conseguimos fazer por nós próprios. Talvez o nosso companheiro decida acabar a relação. Podemos ser despedidos, ou dispensados. Ou o nosso padrinho ou madrinha diz-nos que já não consegue trabalhar connosco, obrigando-nos a procurar outro. Aquilo que acontece nas nossas vidas pode por vezes ser assustador, tal como a mudança quase sempre parece ser. Mas também ouvimos dizer que, “Deus nunca fecha uma porta sem abrir outra”. À medida que avançamos, com fé, a força do nosso Poder Superior nunca está longe de nós. A nossa recuperação é fortalecida por essas mudanças.
Só por hoje: Confio em que o Deus da minha concepção fará por mim aquilo que eu não consigo fazer por mim próprio.
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Doze Passos de Vida

“Através da abstinência total e da prática dos Doze Passos de Narcóticos Anônimos, as nossas vidas começaram a ter sentido.” Texto Básico, p. 9

Antes de chegarmos a Narcóticos Anônimos as nossas vidas centravam-se no uso. Na maior parte das vezes sobrava-nos pouca energia para os nossos empregos, para as nossas relações, ou para outras atividades. Servíamos apenas a nossa adicção. Os Doze Passos de Narcóticos Anônimos oferecem uma forma simples de mudarmos as nossas vidas. Começamos por nos manter limpos, um dia de cada vez. Quando as nossas energias não estão mais canalizadas para a nossa adicção, vemos que temos as forças para prosseguir outros interesses. À medida que crescemos em recuperação, tornamo-nos capazes de manter relações saudáveis. Começam a confiar em nós no trabalho. Os passatempos e as diversões tornam-se mais convidativos. Através da participação em Narcóticos Anónimos, ajudamos outros. Narcóticos Anónimos não nos promete que iremos encontrar bons empregos, relações românticas, ou uma vida preenchida. Mas quando trabalhamos os Doze Passos o melhor que podemos, descobrimos que conseguimos tornar-nos no tipo de pessoas capazes de encontrar trabalho, de manter relações íntimas, e de ajudar outros. Deixamos de servir a nossa doença, e começamos a servir Deus e os outros. Os Doze Passos constituem a chave para transformarmos as nossas vidas.

Só por hoje: Vou ter a sabedoria para utilizar os Doze Passos na minha vida, e a coragem para crescer na minha recuperação. Vou praticar o meu programa para me tornar um membro responsável e produtivo da sociedade.

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Seguir o caminho aberto

“Este é o nosso caminho para um crescimento espiritual.” Texto Básico, p. 42

Quando chegamos à nossa primeira reunião de NA, para muitos de nós parecia o fim do caminho, não íamos mais poder usar, estávamos espiritualmente falidos, a maioria de nós estava totalmente isolada, e não achava que valesse muito a pena viver. O que não sabíamos era que, ao iniciarmos o nosso programa de recuperação, estávamos a entrar por um caminho de possibilidades ilimitadas. No início não usar era suficientemente difícil. Mas à medida que víamos outros adictos trabalhar os passos e aplicar esses princípios nas suas vidas, começamos a ver que a recuperação era mais do que apenas não usar. As vidas dos nossos amigos de NA tinham mudado. Eles tinham uma relação com o Deus da sua concepção. Eram membros responsáveis da irmandade e da sociedade. Tinham um motivo para viver. Começamos a acreditar que essas coisas estavam também ao nosso alcance. Ao prosseguirmos na nossa caminhada em recuperação, podemos deixar-nos desviar pela complacência, pela intolerância ou pela desonestidade. Quando isso acontece, precisamos de reconhecer rapidamente os sinais e regressar ao nosso caminho – o caminho aberto em direção à liberdade e ao crescimento.
Só por hoje: Continuo a desenvolver as minhas capacidades espirituais, sociais, e de vivência, ao aplicar os princípios do meu programa. Posso ir tão longe quanto eu quiser no caminho aberto da recuperação.
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Medo

“Chegamos à conclusão de que não tínhamos outra escolha senão mudarmos completamente as nossas velhas maneiras de pensar ou então voltávamos a usar.” Texto Básico, p. 26

Muitos de nós descobriram que as suas velhas formas de pensar eram dominadas pelo medo. Tínhamos medo de não conseguir arranjar as nossas drogas, ou de que elas não fossem suficientes. Tínhamos medo de ser descobertos, de sermos presos, de irmos para a cadeia. Mais abaixo na lista estavam os medos de problemas financeiros, de não termos casa, de uma “overdose”, de doenças. E o nosso medo controlava as nossas ações. Os primeiros tempos em recuperação não eram muito diferentes para muitos de nós; era, também nessa altura, o medo a dominar os nossos pensamentos. “E se estar em recuperação trouxer muita dor?”, perguntávamos a nós mesmos. “E se eu não conseguir? E se as pessoas em NA não gostarem de mim? E se NA não resultar?” 0 medo por detrás destes pensamentos pode ainda controlar o nosso comportamento, impedindo-nos de tomar os riscos necessários para nos mantermos limpos e crescermos. Pode parecer mais fácil resignarmo-nos à certeza de que vamos falhar, desistindo antes mesmo de começarmos, em vez de arriscarmos tudo com base numa réstia de esperança. Mas esse tipo de pensamento apenas leva à recaída. Para nos mantermos limpos, temos de encontrar a boa-vontade para mudar as nossas velhas formas de pensar. Aquilo que resultou para outros adictos pode resultar para nós – mas temos de estar dispostos a arriscar. Temos de substituir as nossas dúvidas, velhas e cínicas, por novas afirmações de esperança. Quando fazemos isso, veremos que vale a pena arriscar.
Só por hoje: Rezo pela boa vontade para mudar as minhas velhas formas de pensar, e pela capacidade para ultrapassar os meus medos.
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